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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

recado

tive de sair, quando chegares fecha a porta e abre a janela, deixa o calafrio atravessar-te, deixa-te sentir viva.
sim, ainda és viva e ainda esperam muito de ti, não desistas.
eu sei, sim, eu sei que te faço sofrer, e sei que te dói quando te deixo sozinha, mas eu não consigo mais estar contigo.
vive, vive mais e melhor. sem mim vais conseguir.
deixa essa dormência que te paralisa, que te mata os sentidos, REVOLTA-te.
inspira oxigénio, muito oxigénio, mas liberta ainda mais dióxido de carbono.
se quiseres faz à tua combustão interior, mata esses sentimentos derrotistas, elimina esses pensamentos tóxicos,LIBERTA-te.
um dia vais perceber que o melhor que fiz, foi abandonar-te.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

coisa nenhuma.

Sinto um frio na barriga inexplicável. Parece que consegues ainda paralisar toda a minha essência.
Em voltas e voltas, sinto-me uma drogada a precisar de voltar a consumir, mas estou em reabilitação de ti, e isso não é possível simplesmente.
Tenho tudo de pernas para o ar, a verdade é que sentimentos que sempre repulsei agora me deixam a pensar quem sou.
Todos os dias sinto um colossal balde de água fria pelas costas abaixo,quando percebo o tempo que passou.
E que confusão para aqui vai na minha mente (ou será no coração?), a questão é que de um momento para outro preciso de tomar decisões que nunca pensei serem tomadas, e no fim de contas posso magoar tanta gente, ou pior só vou tornar a minha mágoa exarcebada.
Tantas palavras soltas ou até não, que tentam ludibriar toda uma coisa, que ainda não sei bem afinal que coisa é, afinal só queria que tudo isto fosse nada , uma coisa nenhuma que me deixasse livre de todas estas sensações que me trespassam o corpo.

ps: desculpem a confusão que para aqui vai*

domingo, 27 de junho de 2010

Perfume

"o que mais me marca é o teu cheiro".
O perfume dele todos os dias a atormenta. Cheiros malditos que lhe mostram o quão insignificante foi para ele.
Cada dia inspirava à espera de sentir uma nova brisa, mas apenas o odor ao seu ser lhe relembrava cada toque, cada beijo, cada palavra que lhe sussurrava em efémeras horas de troca de carinhos.
Esse seu perfume que enfeitiçou a sua alma, que já negava qualquer envolvência. Mas com o sentimento de entrega, ela deu-se, amou e fez-se amar à espera de todo o retorno que merecia.
Mas esse perfume traiu-a. Não era a verdadeira essência dele, e ela apenas continua à espera que volte a sentir o seu odor, aquele odor que a fazia amá-lo, que a fazia sonhar todos os dias com ele, que a fazia simplesmente ser quem realmente era e libertar toda a sua essência.
Neste momento ela apenas vai caminhando para o abismo, querendo encontrá-lo bem no fundo para lhe dizer "o que mais me marcou foi o teu cheiro."

sábado, 1 de maio de 2010

malabarismos ...

"Ainda que não acredites, tu viverás para sempre nele, tal como ele vive em ti, na memória das tuas células, num passado que pode ser o teu escudo, mesmo que não seja o teu futuro.
Pega no telefone e liga-lhe. Fala com ele de coração aberto, diz-lhe que o queres ver, chora se for preciso, pede-lhe que te diga se sim ou se não. Se for preciso, por mais que te custe, pede-lhe para te escrever a palavra NÃO. Pede-lhe uma resposta para o teu coração. Mais vale saberes que acabou tudo do que viveres com as laranjas todas no ar, qual malabarista exausto, sem saberes nem como nem quando elas vão cair. Mais vale chorar a tristeza de um amor perdido do que sonhar com um oásis que virou miragem.
Pega no telefone e liga-lhe. Liga as vezes que forem precisas até conseguires uma resposta, a paz de uma certeza, mesmo que essa certeza não seja a que desejas ouvir. Mas não fiques quieta à espera que a vida te traga respostas. A vida é tua, tens de ser tu a vivê-la, não podes deixar que ela passe por ti, tu é que passas por ela."

   - Margarida Rebelo Pinto -

sábado, 9 de janeiro de 2010

entre recordações, morreu.

Um dia tinha de ser,hoje foi o dia.
Abri a caixa, fechei, abri, isto vezes e vezes sem conta, mas já chegava de cobardia.
A nostalgia consegue ser doce e amarga ao mesmo tempo, e eu tinha tanto medo do amargo que era incapaz de seguir em frente. Mas tinha de ser, e ininterruptamente tudo o que estava naquele poço de recordações passa pela minha mente em flashs, e ao mesmo tempo que passa as lágrimas começam a correr. 
"Sofres por queres" , "Se não guardasses essas coisas todas sofrias menos!" ...
Nunca conseguirei dar ouvidos, aquelas "coisas todas" são parte de mim, e deixá-las ir embora , era deixar ir embora tudo o que fez de mim quem sou hoje.
E agora aqui sentada, já no fim de abrir a caixa, de mexer e remexer em tudo o que ela continha, acabo por perceber ... o nosso amor morreu.
O meu amor morreu. Será que alguma vez foi nosso?.
Dizem que só porque amamos alguém, esse alguém não é obrigado a amar-nos, a minha parte racional percebe tudo isso, mas o meu coração recusa-se a crer que ao amar-te tanto não tem direito a um bocadinho do teu amor. E no fim de tudo isto vem a batalha a que todos os dias assisto apática entre o coração e a mente. Vem o sofrimento que ambos têm por não chegar a um consenso, e as memórias arrepiam-me os poros como se as tivesse a viver naquele preciso momento.
Agora a caixa para mim já não é algo que vou recuperar forças... é onde deixo as minhas forças. Elas esvaecem mal a abro, existe quase uma força de atracção que as puxa, e eu de fraqueza em punho e nada mais deixo-as ir.
Um pingo amargo magoa a minha alma, e eu acho que se ficar parada tudo volta ao normal, volta o arrepio, volta o coração a bater numa velocidade que não consigo controlar, até que se sente um aperto, parece que parou... mas não, continua a bater, simplesmente porque tem de continuar.
As minhas mão rebeldemente, sem ordem da minha mente, pegam em tudo, e fazem o meu respirar ficar sôfrego, entre papelinhos, pequenas coisinhas que fazem recordar aquele abraço, aquela palavra, aquele momento, aquele beijo.
Mas sim já aprendi, entre todas essas recordações o nosso amor morreu.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

desesperança, esperando




Sentada no banco, naquela esquina sente aquele trago a Outono. Memórias rodopiam nos remoinhos de vento que fazem dançar as folhas caídas pelo chão.
A esperança cresce, desaba. Espera, sentada no banco que aquele trago a Outono lhe traga o aconchego que tanto anseia e devaneia horas e horas infinitas.
Esperança que vira desesperança, espera que desespera.
Mas acontece.
O aconchego chega.
Leva tudo o que lhe resta.
Depois..
Vazio.
Escasso de sentimentos, não lhe resta nem a sua própria dignidade, ela entregou-se.
E sempre que o Outono chega ela espera que a história ainda assim se repita. Que nos dias escuros e frios o aconchego a faça sentir mais dele que nunca, e que ela o sinta mais seu que alguma vez possa sentir.
Outono, após outono.

sábado, 19 de setembro de 2009

tu, eu, nós.



Tu, tu nas minhas entranhas te desfazes
nas minhas curvas te enlaças
e nas minhas preces te aproveitas.

Eu, eu nas tuas inseguranças me revejo
nas tuas mãos fortes me seguro
e nas tuas teimosias me desiludo.

Nós, nós nas nossas caricias nos amamos
nas nossas malandrices nos elevamos
e nas nossas divergências nos acabamos.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

"não posso vê-lo, mas posso senti-lo"

Não, não o posso ver, mas sinto o toque da sua mão grande e suave, sinto o passar do seu dedo pelo meu braço como escrevesse um "amo-te" que me arrepia a espinha. Passado tanto tempo continuo a senti-lo, como se todos os dias ele me escrevesse mais uma palavra no braço, na face áspera que espera anciosamente a sua mão suave, no pescoço que mal sente o toque me faz sorrir das cócegas, que mais uma palavra escrita pelo toque me proporciona.
"É como o vento. Não o posso ver, mas posso senti-lo."
Porque te sinto, sinto-te comigo, mesmo com a distância, mesmo com o tempo a passar, eu continuo a sentir-te e nada dessas condições apagam do meu coração todo o toque, todo o arrepio que proporcionas. Por vezes fecho os olhos e parece que ainda te sinto comigo, mas quando os abro, não passa de um sonho.
Pára de me arrepiar, pára de me fazer sentir como se nada tivesse acontecido, porque aconteceu. Tu não és mais o mesmo, e eu parece que não me mentalizo. Adormeço a pensar o mesmo de há eternidades, e acordo com a mesma lágrima no olho, e ainda assim o teu toque é o que eu quero, ainda assim é a tua mão entrelaçada na minha que eu quero.
Deixa-me dar-te um último abraço, porque quero, porque preciso, porque eu não te vejo e sinto-te comigo, e por uma última vez quero sentir-te de verdade, ver-te e sentir-te de verdade.

I give yoJustificar completamenteu my destiny.
I'm giving you all of me.
I want your symphony, singing in all that I am
At the top of my lungs, I'm giving it back.

So I lay my head back down.
And I lift my hands and pray
To be only yours, I pray, to be only yours
I pray, to be only yours
I know now you're my only hope.
(porque há filmes que marcam - a walk to remember)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

o abraço

Naquele dia, Leonor arrepiou-se.
Afonso vinha longe, e ela já sentia o seu respirar.
Chegou perto, e o dela parou.
Sem saber porquê, e no final de contas, nem como, ficou à espera do abraço dele.
Ficou à espera de sentir o seu respirar ainda mais intenso para que o dela retomasse.
Mas não.
O abraço, não o deu.
Um olhar trocado, insignificante e sem sequer algum significado.
O abraço, ainda o esperava.
Um sorriso correspondido, tímido mas irrisório.
O abraço, ainda sonhava em tê-lo.
Um dar de mãos, apertado e cúmplice.
O abraço, cada vez mais perto.
Um sussurro ao ouvido, secreto e seu.
O abraço, a segundos de chegar.
Um preciso de ti, sincero e gritante.
Chegou perto, e deu-lhe um abraço.
O abraço, não o deu.
O arrepio pela espinha, o coração fulgurante, o sentimento mútuo, nada disso foi capaz de dar.
E agora ela vive simplesmente à espera d’ o abraço, mas um dia ela será capaz de viver sem essa espera.
Apenas se ele deixar de ser cobarde, e lhe der o abraço.



( 1/07 - voltou a fazer sentido.)

terça-feira, 21 de julho de 2009

sentires


"One day you're here
Next you are go
No matter what we must go on
Just keep the faith
And let love lead the way"





Sentimentos abruptos emergem, uma confusão de sentires inexplicável:saudade, revolta, amor, amizade, raiva, ai saudade. Sentimento de vazio, um coração oco mas cheio de sentires. Uma vontade imensa de dizer o quanto faz(es) falta em contraste do desejo de (te) mostrar o quanto a mágoa se apoderou pela distãncia. Num estalar de dedos, todo o passado, que poderia ser presente e futuro, não passa disso, de pretérito-mais-que-perfeito. E o coração que transbordava , anseia agora por uma lágrima, pois o seu choro já é apenas ferida, ferida que não sara. Queria dar o abraço com que todos os dias o meu subsconsciente me atormenta, queria falar até sentir que toda a minha revolta seria apagada, queria abraçar, abraçar, abraçar, rir, ser feliz. Mas toda a distância local, temporal, sentimental, traz o pior sentir. saudade

quinta-feira, 2 de julho de 2009

maria

Maria num fim de um dia atribulado cai em si. Ela é o seu próprio abismo.
Estava perdida, perdida em si mesma.
Sem sair do lugar, Maria sobe até à mais alta nuvem e no momento a seguir cai do abismo mais elevado. Cuidado, Maria.
Maria acorda. O pesadelo tinha passado.
E agora Maria? Onde vais Maria?
Ai, Maria.
Maria não conhece o sitio onde está, mas sabe que é o melhor. Será Maria?
Maria sente-se deslocada mas sorri com o sonho de uma vida melhor. Será Maria?
Maria chora apesar de todos os sorrisos retribuidos, que não são os seus. Chora Maria, chora.
Maria tem saudades.
Maria tem saudades de todas as gargalhadas sonoras, e que boas gargalhadas que dava quando rodeadada da sua gente.Era bom não era,Maria?
Maria tem saudades de todos os gritos e discussões que tinha quando dias a fio levavam à exaustão da relação com os seus.Ao menos era teu não era, Maria?
Maria tem saudades de ser autêntica.Então sê, Maria!
Maria tem saudades de ser ela. Então sê, Maria!
Maria tem saudades de ser amada e de amar. Aprende a amar o desconhecido, Maria.
Maria não quer mais ser Maria. Força Maria, força!